As cobras negras se escondem nas esquinas, dentro da sua própria casa elas se escondem bem embaixo dos seus pés, onde você pretende pisar sem receio.
As mentiras do mundo são suas escamas e suas espinhas, e o veneno de suas línguas é o ácido da Terra do Fogo. Elas sabem como dar o bote em você, e você apenas sente a dor que o transporta para a realidade onde não há magia, apenas carne crua apodrecendo ao sol.
Você bota a cara na rua, você ouve os tiros de canhões ecoando sobre sua cabeça. São seus vizinhos, eles estão em guerra com o mundo e eles não hesitariam em atirar em você.
Você olha para o céu e ao longe você vê uma ferida aberta no céu de onde escorre milhôes de litros daquele líquido que se forma do lixo amontoado, milhôes de litros de chorume vazando pela fenda feita no céu e você presume que no lugar onde ela está caindo um rio desse líquido está se formando e está varrendo casas e crianças em suas salas de aulas.
Você sabe que esse é o mundo em que você vive, sabe que nem se quisesse poderia escapar da picada das cobras, porque elas foram postas exatamente onde você iria estar, tão cedo que você ainda nem era capaz de sentir medo delas. Elas não sentem pena nem remorso. São completamente vazias, são repúdio e rancor, que se pudessem ter o real tamanho de suas tristezas engoliriam todo um universo, de uma só vez, como num big-bang ao contrário.
Você sente frio e solidão, você é a única força resistente do planeta. Você sente a morte pesar sobre os seus ombros e toda as suas costas. Você tenta girar e conseguir vê-la, tenta se livrar dela, mas ela é muito mais forte. As copas das árvores vão do verde para o negro em um instante e todas as folhas despencam como cinzas, depois os troncos, que são completramente varridas pelo vento formando uma grande e espessa camada de poeira no ar. Você precisa semicerrar os olhos.
O vento se torna cada vez mais forte e o ruído nos seus ouvidos é ensurdecedor. As cinzas que voam ao seu redor vão formando imagens de tudo aquilo que você um dia conheceu. Cavalos, pessoas, carros, cachorros, prédios vão passando em forma de poeira conforme você tenta andar.
É isso, é assim que você verá seus últimos segundos, é assim que o mundo se tornará negro pra você e nunca mais voltará a exergar e ficará tateando pelos destroços do que um dia foi o seu mundo por toda a eternidade.
06 Dezembro 2009
29 Outubro 2009
15 Outubro 2009
Pra sempre amor.
O amor cresceu dentro de mim
e o que é que há de errado em mim?
Estamos tão distantes uns dos outros,
mas que falta de compaixão!
Não sei se vou ver a multidão a dançar
uma música em comum.
será isso algo natural? Estaríamos imitando as galáxias?
Seria o rumo da evolução nos tornarmos mundos em si e
vivermos expandindo em nós mesmos?
Crescendo devagar e sozinhos pelo mundo material?
Pelas inovações tecnológicas, pelas drogas, pelos filmes?
Nos tornando cada vez uma espécie diferente dos nossos ancestrais,
nos tornando algo como seres virtuais, seres impossíveis de serem tocados,
hologramas!?
Creio que uma parte da sociedade se tornará exatamente a figura do homem moderno,
um homem que NÃO EXISTE.
Outra parte será real e sentirá a brisa das manhãs como o homem sempre sentiu
e viverá no AMOR.
11 Agosto 2009
Cai a maça.

Eu quero deitar num ramo de folhas verdes,
E ver o céu girar sobre o meu ponto fixo.
Hoje eu sou o centro do universo,
das estrelas escondidas, das entranhas um menino.
Pro mundo inteiro um desconhecido.
Esquente-me ó Sol.
Refresque-me ó brisa.
Deleite-me ó céu e nuvens passageiras.
E não me digam nada, nada.
22 Março 2009
01 Março 2009
03 Fevereiro 2009
muro
Acontece que algo é moda há um longo tempo. O muro. O muro existe e eu pude vê-lo desde cedo. É. Não um muro de concreto, mas algo, que separava as pessoas. Isso sempre existiu na minha vida. Sempre houve algo que separava eu do meu pai, da minha mãe, do meu irmão, das minhas tias, da minha avó, dos colegas da escola. Sempre houve algo lá e eu nunca conseguia entender por quê. Eu queria muito quebrar essa barreira, e pedia, implorava para minha mãe olhar para mim, me ouvir, e ela olhava e dizia: "Amarre os cadarços menino! Ou vai se esborrachar de cara no chão!"
Eu não queria separar as pessoas umas das outras, eu queria abraçar a minha mãe, passar a mão pelo rosto dela, apertar os seus dedos, ouvir a voz que saia da boca dela. Eu queria correr em volta do meu pai, pisar em seu pé para ficar mais alto, lhe agarrar as coxas. Eu queria pular em cima do meu irmão para acordá-lo, queria poder entrar no seu quarto e saber que não iria incomodá-lo. Queria brincar com ele com os brinquedos que trocaríamos sem pensar em de quem é o quê. Mas aquele muro estava lá. Sempre uns dele e uns meus. Que logo enjoava de brincar com eles sozinho.
Com o tempo percebi que essa distância existia porque as pessoas controem suas vidas de maneira individual. Se entendem como seres que só existem porque são específicos. O prazer de suas vidas vem de serem de um jeito e terem e fazerem coisas que lhe dizem como são. Uma porção de manias e objetos que poderiam ser assimilados pelas outras pessoas e por si mesmos para lhe garantirem o status de ALGUÉM. Como se alguém deixasse de ser alguém em algum momento da vida. Como se o dia que eu colocar o tênis esquerdo no pé primeiro, ao invés do direito, como eu estava acostumado, eu não for mais alguém. Como se o dia em que eu não colocar as mãos sobre a cabeça num dia de chuva quando eu esquecer o guarda-chuvas, eu não for mais a mesma pessoa.
Quem é que estabelece essas regras sobre nós? Por que limitar a quantidade de coisas que o EU pode fazer sem considerar as demais? Tipo: Por que comer apenas brigadeiro nas festas infantis porque se está acostumado à isso, quando há, na mesma mesa, beijinhos, cajuzinhos? Por que separar nosso gosto e nossas escolhas de forma tão rígida? Será que porque se não fizermos isso, nosso muro cái e assim ficaria difícil controlar a pessoa que vive por detrás dele?
E se não fazemos certas coisas por medo de deixarmos de ser a pessoa que achamos que somos, será que realmente temos noção do que é ser alguém? Ser alguém, não seria escolher entre qualquer coisa? Fazer o que se está acostumado é apenas esquecer de pensar antes de cada escolha. Mudar de idéia não faz sentido nesse mundo porque tudo é posto como pronto e definido, independente de nossas escolhas.
Não me interessa o que pode haver de bom nessa idéia de ter uma "vida" e ser "alguém", porque por causa dessa idéia eu não conheci as pessoas que mais queria ter conhecido nessa vida, meus pais e meu irmão. Que nunca permitiram que eu participasse de suas "vidas" porque eu era novo demais para poder escolher uma pra mim. E por isso eu nunca escolhi, porque sabia que isso me afastaria das pessoas. E que se eu quisesse conviver com alguém de verdade eu deveria deixar de lado essas idéias e compartilhar a verdade em cada palavra que revela a vida da outra pessoa. Se eu ficasse sempre pensando na minha maneira de ver as coisas, não poderia ver a beleza que às vezes são as escolhas de outras pessoas. Por exemplo??
Tony Melendez nasceu sem os dois braços devido à um remédio que lhe foi dado a sua mãe. De tanto ver o pai tocar violão começou a praticar o instrumento com os pés. Ele chegou a se apresentar ao papa João Paulo II e escolheu não se esconder.
Hoje eu não entendo como as pessoas se permitem não praticarem a perfeição quando elas são perfeitas, da mesma forma que eu não entendia por que minha mãe não queria me ouvir quando ela tinha ouvidos perfeitos. Eles só não querem, e não fazem.
O Muro.
Eu particularmente fui chamado por um garoto de uns dois anos mais ou menos, que ficava sempre no portão de sua casa junto com seu irmão um pouco mais velho, de quase uns cinco e eu o ouvi. Morava na mesma rua que ele e quando passava pela sua casa eles vinham junto às grades do portão e admiravam talvez a minha liberdade, de poder ir e vir e chamavam. A voz do garoto pequeno ficou bem gravada na minha memória, porque era a mais clara e sincera. Na verdade, quando eu passava ele me chamava de Jesus e eu não achava de fato que era comigo, porque sou Rafael, mas de alguma forma era pra mim, porque era eu quem passava. Não somos só o que pensamos ser, somos o que as pessoas veem em nós.
Quebrar o muro.
Eu não queria separar as pessoas umas das outras, eu queria abraçar a minha mãe, passar a mão pelo rosto dela, apertar os seus dedos, ouvir a voz que saia da boca dela. Eu queria correr em volta do meu pai, pisar em seu pé para ficar mais alto, lhe agarrar as coxas. Eu queria pular em cima do meu irmão para acordá-lo, queria poder entrar no seu quarto e saber que não iria incomodá-lo. Queria brincar com ele com os brinquedos que trocaríamos sem pensar em de quem é o quê. Mas aquele muro estava lá. Sempre uns dele e uns meus. Que logo enjoava de brincar com eles sozinho.
Com o tempo percebi que essa distância existia porque as pessoas controem suas vidas de maneira individual. Se entendem como seres que só existem porque são específicos. O prazer de suas vidas vem de serem de um jeito e terem e fazerem coisas que lhe dizem como são. Uma porção de manias e objetos que poderiam ser assimilados pelas outras pessoas e por si mesmos para lhe garantirem o status de ALGUÉM. Como se alguém deixasse de ser alguém em algum momento da vida. Como se o dia que eu colocar o tênis esquerdo no pé primeiro, ao invés do direito, como eu estava acostumado, eu não for mais alguém. Como se o dia em que eu não colocar as mãos sobre a cabeça num dia de chuva quando eu esquecer o guarda-chuvas, eu não for mais a mesma pessoa.
Quem é que estabelece essas regras sobre nós? Por que limitar a quantidade de coisas que o EU pode fazer sem considerar as demais? Tipo: Por que comer apenas brigadeiro nas festas infantis porque se está acostumado à isso, quando há, na mesma mesa, beijinhos, cajuzinhos? Por que separar nosso gosto e nossas escolhas de forma tão rígida? Será que porque se não fizermos isso, nosso muro cái e assim ficaria difícil controlar a pessoa que vive por detrás dele?
E se não fazemos certas coisas por medo de deixarmos de ser a pessoa que achamos que somos, será que realmente temos noção do que é ser alguém? Ser alguém, não seria escolher entre qualquer coisa? Fazer o que se está acostumado é apenas esquecer de pensar antes de cada escolha. Mudar de idéia não faz sentido nesse mundo porque tudo é posto como pronto e definido, independente de nossas escolhas.
Não me interessa o que pode haver de bom nessa idéia de ter uma "vida" e ser "alguém", porque por causa dessa idéia eu não conheci as pessoas que mais queria ter conhecido nessa vida, meus pais e meu irmão. Que nunca permitiram que eu participasse de suas "vidas" porque eu era novo demais para poder escolher uma pra mim. E por isso eu nunca escolhi, porque sabia que isso me afastaria das pessoas. E que se eu quisesse conviver com alguém de verdade eu deveria deixar de lado essas idéias e compartilhar a verdade em cada palavra que revela a vida da outra pessoa. Se eu ficasse sempre pensando na minha maneira de ver as coisas, não poderia ver a beleza que às vezes são as escolhas de outras pessoas. Por exemplo??
Tony Melendez nasceu sem os dois braços devido à um remédio que lhe foi dado a sua mãe. De tanto ver o pai tocar violão começou a praticar o instrumento com os pés. Ele chegou a se apresentar ao papa João Paulo II e escolheu não se esconder.
Hoje eu não entendo como as pessoas se permitem não praticarem a perfeição quando elas são perfeitas, da mesma forma que eu não entendia por que minha mãe não queria me ouvir quando ela tinha ouvidos perfeitos. Eles só não querem, e não fazem.
O Muro.
Eu particularmente fui chamado por um garoto de uns dois anos mais ou menos, que ficava sempre no portão de sua casa junto com seu irmão um pouco mais velho, de quase uns cinco e eu o ouvi. Morava na mesma rua que ele e quando passava pela sua casa eles vinham junto às grades do portão e admiravam talvez a minha liberdade, de poder ir e vir e chamavam. A voz do garoto pequeno ficou bem gravada na minha memória, porque era a mais clara e sincera. Na verdade, quando eu passava ele me chamava de Jesus e eu não achava de fato que era comigo, porque sou Rafael, mas de alguma forma era pra mim, porque era eu quem passava. Não somos só o que pensamos ser, somos o que as pessoas veem em nós.
Quebrar o muro.
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